Em discussões anteriores, tentamos argumentar o fato de que o Arquivo Morto não existe. Todavia, observando alguns fatos e fazendo algumas reflexões, acabamos por abandonar tal ideia (agora, sem acento). Temos o desprazer de apresentar-lhes o primeiro dos tantos Arquivos Mortos do país. Créditos: Ivan Cabral (http://ivancabral.blogspot.com)
Como dizia anteriormente, embora a figura do arquivista tenha se tornado no Brasil, mesmo que timidamente, mais importante para as organizações nos últimos anos, pouco ainda se fala e se faz no país em relação à preservação de seus acervos documentais.
Neste sentido, segundo o professor Renato Tarciso: "os objetivos de políticas públicas de arquivo devem ser pautados, inicialmente, pelo direito do cidadão à informação e, também, pelo apoio à administração, à proteção da memória e ao desenvolvimento científico".
Todavia, é necessário que se vá além da formulação de políticas que assegurem o acesso, pelo cidadão, das informações ditas públicas. É necessário que se invista em cidadãos que estejam conscientes da importância da preservação dos documentos enquanto fontes necessárias à construção do patrimônio histórico e cultural da sociedade e enquanto pilar essencial para a compreensão da identidade, hoje multifacetada, de um povo, como fruto de sua memória.
Essa questão é primordial para o entendimento de porque ainda hoje o profissional do arquivo é chamado de arquivologista e o motivo da denominação dos arquivos permanentes, enquanto locais de preservação de uma documentação tão importante para a Nação, de arquivo morto.
Talvez seja esse um dos principais problemas da administração pública brasileira: entender seu Arquivo como uma grande massa documental acumulada sem critérios, desprovido de necessidade de uso, inanimado, sem vida, em outras palavras, morto.
Quem nunca ouviu falar em "Arquivo Morto" que me atire a primeira caixa-arquivo!!! Não, não me refiro à "famosa" série exibida no Sistema Brasileiro de Televisão, a mina de ouro do Sr. Abravanel.
Está na boca do povo e é tão comum quanto a expressão arquivologista. Aliás, sem querer entrar neste outro mérito, mas já entrando, tenho a nítida impressão de que alguém já se referiu a você, ARQUIVISTA, desta forma. Não estranho o fato de que aquele seu vizinho chato já tenha te chamado assim. Que aquela sua tia cinquentona, que faz questão de apertar suas bochechas sempre que te vê, tenha dito a mesma coisa. Ou que os seus primos façam cara de que entenderam o nome do seu curso, mas que no fundo acham que você estuda Arqueologia, também não.
Que o povo, os matemáticos, físicos, químicos, ou engenheiros nos chamem assim, não é de se estranhar. O que me impressiona são os historiadores, tão ligados a nós e tão dependentes dos arquivos que zelamos com tanta presteza, se refiram desta forma a nós. Não todos, claro. Nestes casos citados, a regra é a exceção. Já aconteceu comigo, tenho certeza que com você também. Aliás, achar alguém que dê a correta nomenclatura ao profissional da área é como achar um sapo dourado da Costa Rica. Você já viu um hoje???
Voltando ao ponto inicial deste post, a denominação arquivo morto é tão comum quanto a de arquivologista. Isso, em minha opinião, está muito relacionado à importância e uso que uma sociedade dá aos seus arquivos e, consequentemente, à construção de sua memória e identidade.
Criado como um instrumento para a elaboração do trabalho de conclusão da disciplina Diplomática e Tipologia Documental da Universidade de Brasília, o Diplomática Contemporânea tentou ser bem mais do que isso. Seus idealizadores, Rodrigo, Marlos, Maciel e Talita, buscaram no blog uma tentativa de construção de um canal aberto de discussões envolvendo não só os aspectos da Diplomática e da Tipologia Documental, mas de aspectos políticos, econômicos, culturais e sociais, além de uma boa dose de humor e diversão...